Nem todas as viagens que fiz foram espetaculares, no que diz respeito ao sentimento.

A de Cuba, há poucos anos, foi assim. Sem entrar no mérito político, tive vontade de colocar todos os Cubanos no avião e trazê-los comigo para o Brasil. Assim, poderiam ter um pouco mais de informação, que não fosse somente sobre o Che Guevara e os Irmãos Castro.

Imaginem que, pela primeira vez, não consegui trazer um livro de receitas do país visitado, pois só tinham publicações políticas nas livrarias que eu fui – se é que posso definir com essa palavra uns poucos livros em estantes tipo escada, encostadas nas paredes, nas entradas de restaurantes populares.

A do Canadá, há poucos dias, também foi assim. Sem entrar no mérito político, tive vontade de colocar todos no avião e leva-los pra lá. Sim! Levar todos os Brasileiros para o Canadá. Assim, poderiam ter um pouco mais de contato com a vida que merecíamos ter. Uma vida onde a cidadania e o respeito são normais. Um lugar onde ter condições dignas de viver é direito e onde ser governado por homens de responsabilidade é dever dos políticos.

Voltei com uma inquietude sufocante e com uma questão que até agora não consegui resposta para acalmar meus sentimentos: por que uns nascem num país onde tudo funciona e outros em um onde tudo é difícil?

Alguns amigos tentaram me consolar, respondendo que nascemos em países difíceis porque somos mais fortes. Oi? Então queria ter nascido fraca! E acrescentaram: “Lembre-se que tem países muito piores que o nosso”. Sim, é fato. Como também é fato que existem outros tantos muito melhores!

Outros disseram: “Mas, lá faz 8 meses de inverno e aqui nós temos um clima fantástico”. Sim, eu sei. Também sei que somos um país abençoado por Deus, com uma beleza natural divina, praticamente livre de terremotos e outros tantos desastres naturais. Mas, em compensação, temos a pior escória nos governando.

Enfim, não só não me consolaram, como não conseguiram responder a essa questão filosófica-existencial que perdura e que tem me tirado o sono, noite após noite, e a tranquilidade, dia após dia.

Tristemente, parece que a luz no final do túnel está a anos luz de distância. Então, se tiver condições, seja você novo, velho, aposentado ou com família, vou te dizer no Português popular: “Vaza”!

Isso pode ser apenas um desabafo momentâneo de uma Brasileira indignada. Mas, nunca pensei que a pena que senti dos Cubanos, sentiria, um dia, dos Brasileiros. Um povo trabalhador, decente, alegre e querido, que, infelizmente, se acostumou a ser desrespeitado.