Sempre me intrigou a criação dos adjetivos compostos de algumas cores. Como será que a pessoa que a nomeou chegou a essa conclusão?

Alguns são fáceis de imaginar, tipo: branco-neve, amarelo-ouro, verde-limão, cinza-chumbo. Outros, nem tanto: azul-bebê, cor de burro-quando-foge. Aliás, essa última é muito engraçada!

Mas, o mais incrível é que nunca pensei que eu seria a inventora de um deles!

Para explicar melhor essa história, vamos começar falando dos azuis. Conhecia, até então, o azul-claro, azul-escuro, azul-marinho, azul-celeste… Todos lindos, porém, nenhum capaz de descrever o que estava diante dos meus olhos.

Um azul que, sob a luz do sol do meio-dia, acendia as águas daquele lago, que refletiam as altas montanhas rochosas com picos nevados, rodeada de belos pinheiros, que cresciam aos seus pés.

Sentada numa mureta, ao som do Il Divo – que fiz questão de colocar no meu celular porque a combinação era perfeita – fiquei horas a fio apreciando aquela paisagem que me deixou, de verdade, atônita.

Naquele momento, depois de ter mudado de cor várias vezes durante a manhã – e ainda mudaria mais vezes à tarde – a cor era indescritível!  Enquanto agradecia à Deus por me permitir estar num lugar tão especial, recorria a todos os azuis que vinham a minha mente, pois aquele precisava ser nomeado, para que eu pudesse descrever a maravilhosa experiência para vocês.

Pois, falhei… Não consegui. Nenhum combinava com a cor daquele lago.  Aquele azul especial, profundo, vibrante e intenso, que me calou por tanto tempo, era inédito para mim.

Então, bem mais tarde, quando estava retornando para Banff, como que numa inspiração divina, consegui achar o nome perfeito para a cor.

Nada melhor do que o próprio nome do lago que me encantou, para nomear o azul mais belo de todos: azul-moraine!

Obrigada pela inspiração, Lago Moraine!