Como a grande maioria das pessoas da minha geração e nível social, o maior contato que tive com a Língua Inglesa foi durante a escola pública. Poucas horas por semana, porém por vários anos, se estudava o verbo to be, no presente. Mas, Bob is in the library sempre voltava à tona, em qualquer que fosse o tema a ser estudado. Nem vou contar sobre as aulas de Present Perfect, que merecem um texto à parte.

Com exceção de os que nasciam com QI diferenciado, cresci, totalmente, deficiente dessa segunda língua e, com o passar do tempo, isso foi se tornando cada vez mais incômodo pra mim. Perdi várias oportunidades de emprego, de viagens e até de amigos, por não dominar o além do nice to meet you, thank you, you’re welcome, sorry and excuse me…

De alguns anos prá cá, só não estuda Inglês quem não quer. Velho, novo, pobre, rico, todos têm, à disposição, aulas gratuitas pela internet ou por ações solidárias de associações e ONGs.

Tirando proveito dessa boa mudança, precisei de muita determinação para aprender Inglês na fase adulta. Mas, hoje, digo com todas as letras: valeu a pena! É impressionante como faz diferença! Abrem-se várias portas, antes desconhecidas e, até mesmo, inatingíveis. Contudo, as portas mais legais que se abrem, são as das gargalhadas

Devido aos falsos cognatos, passei por várias situações engraçadas, mas nada comparada com aquela em que um comerciante Grego, que era fisiculturista, me convidou para ir a uma International Exhibition dele, na Alemanha. Dentro do avião, ele me apresentou para um cara muito alto e muito magrelo e me disse: “esse aí é o meu maior concorrente”. Na hora, pensei comigo: “então, meu amigo já ganhou!”

Fui achando que iria ver belos atletas, tipo Deuses Gregos, em trajes mínimos, exibindo seus músculos lubrificados. Tive o maior acesso de riso da minha vida, quando entrei e dei de cara com um pavilhão, lotado de representantes comerciais, tipo feira de negócios do Anhembi. Ah, e o stand do tal magrelo alto era ao lado do do meu amigo…

E mesmo depois que você domina um pouco mais o idioma, ainda tem a variação do sotaque, que também permite casos inusitados, como a de um outro amigo meu, um Turco, que me perguntou o que eu achava sobre ter children. Então, imaginem a cena, eu tentando explicar, por mais de meia hora, sob o olhar incrédulo dele, que, por insistência de algumas amigas, eu até tinha tentando criar um, quando estava morando no exterior, pois era uma forma de fazer amigos, mas que no Brasil isso não funcionava da mesma forma e que por isso eu não curtia, mesmo, ter Tinder!

Eu sou Karina Calicchio

Sempre uma vírgula, nunca um ponto